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Mais um verão chegou ao fim.
Foram muitos tours, muitos quilómetros percorridos, muitas subidas e descidas, alguns dias quentes, alguns (poucos) arranhões :) , milhares de milhares de fotografias, muitos, muitos sorrisos e histórias sim fim.
Lisboa, Sintra, Cascais, Arrábida… lugares que conhecemos muito bem e por onde já passámos centenas de vezes.
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Mas há uma coisa que nunca se repete: as pessoas que chegam todos os dias para pedalar connosco.
Bem… talvez “nunca” não seja a palavra certa.
Porque este verão tivemos, mais uma vez, a enorme felicidade de reencontrar pessoas que já tinham pedalado connosco em anos anteriores e que, ao regressarem a Portugal, fizeram questão de voltar a visitar-nos.
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E tivemos também muitas caras novas que, afinal, não chegaram até nós por acaso. Vieram porque alguém que já tinha pedalado connosco lhes disse: “Quando fores a Lisboa, tens de fazer um tour com eles.”
Há poucas recomendações que nos deixem mais felizes.
Porque estas significam que, depois das bicicletas serem arrumadas e das férias terminarem, alguma coisa daquele dia ficou. Uma história, uma memória ou simplesmente um dia suficientemente especial para meses, ou anos mais tarde, alguém se lembrar de nós quando um amigo diz que vai viajar para Lisboa.
Talvez seja esse um dos motivos por que continuamos a gostar tanto do que fazemos.
Depois de tantos anos a guiar pessoas de todas as partes do mundo, continuamos curiosos quando alguém novo entra pela nossa porta.
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Começamos por perguntar de onde vêm, mas rapidamente a conversa vai muito para além disso. Onde já estiveram, quanto tempo vão ficar em Portugal, para onde vão a seguir, o que já fizeram, aquilo de que gostam.
E nós também contamos as nossas histórias.
Muitas vezes começamos a falar de bicicletas e de Lisboa e acabamos a falar das nossas viagens, das viagens deles, de comida, de família ou de qualquer outra coisa que surgiu pelo caminho.
É assim que começamos a criar uma boa relação e assim que aparecem também muitas das nossas recomendações.
Um restaurante onde gostamos de comer, uma praia, uma caminhada, uma cidade ou um lugar que achamos que vale a pena conhecer.
Este verão, por exemplo, recomendámos a um casal que pedalou connosco a caminhada dos Sete Vales Suspensos e um passeio de kayak pelas grutas do Algarve.
Dias depois chegou uma mensagem:
“Thanks for the suggestion of the 7 Hanging Valleys hike, and also the Kayak tour of Bengali cave. It was amazing. Picture follows.”
E veio mesmo a fotografia.
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São pequenas coisas, mas fazem parte do nosso trabalho tanto quanto explicar a história de Lisboa ou indicar o caminho numa descida.
Porque um bike tour, para nós, nunca foi apenas seguir um percurso.
Há muitos tours em que ficamos à conversa depois de as bicicletas estarem guardadas. Outros acabam à mesa. Há clientes que voltam no dia seguinte para fazer outro passeio connosco e outros de quem voltamos a ter notícias semanas, meses ou até anos mais tarde.
Nem sempre acontece, naturalmente.
Mas quando acontece, é uma das melhores partes deste trabalho.
ARRÁBIDA - Este verão trouxe também novos caminhos

Continuámos a pedalar por Lisboa, Sintra e Cascais, lugares que fazem parte da nossa história e que conhecemos muito bem.
Mas este ano começámos também a levar mais pessoas para um lugar que há muito queríamos mostrar: a Arrábida.
Nós já conhecíamos bem a região e sabíamos o que havia ali.
O que queríamos perceber era como reagiria quem nos visita e que, muitas vezes, nunca tinham sequer ouvido falar da Arrábida.
A resposta não demorou muito a aparecer.
Levámo-los por pequenas estradas rurais, entre muitas vinhas, pequenas aldeias e montanhas, até ao azul do Atlântico.
Pedalámos pelo Parque Natural da Arrábida, parámos em lugares onde não encontrámos outros turistas, entrámos em algumas quintas para provar vinhos e queijos regionais e tivemos almoços fantásticos junto a praias paradisíacas, onde comemos o que de melhor o mar nos dá: peixe e marisco frescos.
E houve uma coisa de que gostámos particularmente.
Algumas das pessoas que levámos à Arrábida nem sequer tinham planeado fazer esse tour.
Tinham pedalado primeiro connosco em Lisboa ou entre Sintra e Cascais e, depois desse primeiro dia, decidiram reservar mais um dos seus dias de férias para voltar a pedalar connosco.
Um casal conheceu-nos num passeio de bicicleta em Lisboa. Gostaram tanto do primeiro dia que decidiram passar connosco o último dia da sua viagem.
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Fomos até Palmela, pedalámos pela Arrábida até às águas verdes da Praia de Galapos, parámos numa quinta e acabámos a almoçar peixe fresco junto ao mar.
Mais tarde escreveram-nos:
“Miguel made our last day one that we will never forget.”
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Outro casal fez primeiro o nosso tour Sintra–Cascais. Gostou tanto que decidiu fazer mais um dia connosco, desta vez na Arrábida.
Depois escreveram:
“It was the highlight of our trip to Lisbon, we absolutely loved it.”
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Para nós, foi também a confirmação de que, tão perto de Lisboa, ainda existem muitos lugares menos conhecidos, capazes de surpreender por completo quem nos visita.
Lugares que nós conhecemos, mas que temos um enorme prazer em voltar a ver através dos olhos de alguém que está ali pela primeira vez.
E a Arrábida mostrou-nos que não é preciso ir muito longe de Lisboa para começar a encontrar um Portugal completamente diferente.
No final, são sempre as pessoas
Quando olhamos para trás e pensamos neste verão, lembramo-nos naturalmente dos lugares por onde passámos e dos muitos quilómetros que pedalámos.
Mas lembramo-nos sobretudo das pessoas.
Das conversas pelo caminho, das gargalhadas, dos almoços, das histórias que nos contaram e das histórias que nós contámos.
E depois há aquelas mensagens que chegam quando as férias já acabaram e cada um voltou à sua vida.
Uma delas dizia:
“I have done many bike tours in many cities in both the US and Canada and Europe. And yours was the best beyond any. You are a beautiful person and we would definitely come back and ride again with you.”
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Outra, depois de um dia inteiro a pedalar, comer, beber e descobrir lugares que normalmente ficam fora dos roteiros turísticos, terminava assim:
“We feel you are a friend and we will be back to see you again and we will send all of our friends your way!”
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Depois de tantos anos e de milhares de pessoas que já pedalaram connosco, continuamos a ficar felizes quando recebemos uma mensagem destas.
E esperamos nunca deixar de ficar.
Porque podemos conhecer cada rua, cada subida, cada miradouro e cada curva dos nossos percursos. Podemos comprar bicicletas melhores, criar novos tours e descobrir novos caminhos.
Mas há uma coisa que não queremos perder: a alegria de receber.
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Sabemos que algumas pessoas terminam um tour connosco sobretudo a pensar nos lugares que conheceram.
E está tudo certo.
Muitas vezes é exatamente isso que procuram: aproveitar as poucas horas que têm, conhecer Lisboa, chegar a vários lugares e perceber um pouco melhor a cidade.
Os nossos tours servem também para isso.
Mas nós gostamos de tentar deixar mais qualquer coisa.
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Queremos criar memórias dos lugares, naturalmente, mas também dos momentos.
Houve tours em que ficámos à conversa muito depois de termos guardado as bicicletas. Outros acabaram à mesa. Houve clientes a quem recomendámos o que fazer no dia seguinte e que depois nos enviaram fotografias desses lugares.
Há pessoas que regressam anos depois. Outras mandam os filhos, os amigos ou os colegas ter connosco.
E há aquelas que simplesmente desaparecem no meio dos milhares de pessoas que visitam Lisboa todos os anos.
Tudo isso faz parte.
Quando nós próprios viajamos, gostamos de conhecer as pessoas que vivem nos lugares por onde passamos. Gostamos de conversar, de perceber como vivem, onde comem, o que fazem e o que nos aconselham a conhecer.
Por isso, tentamos proporcionar o mesmo a quem nos visita.
Quem pedala connosco não está apenas acompanhado por alguém que sabe o caminho ou conhece a história dos monumentos.
Está a passar algumas horas com um local. Com alguém que vive aqui. Com um português.
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Pode perguntar-nos sobre a história de Lisboa, mas também onde ir jantar. Pode perguntar sobre os monumentos, mas também quanto custa viver aqui, o que fazemos nas férias, qual é a nossa praia preferida ou para onde gostamos de viajar de bicicleta.
E muitas vezes somos nós que fazemos as perguntas.
Porque também queremos conhecer quem está a pedalar connosco.
Nem todas as pessoas procuram essa relação da mesma forma e não há qualquer problema nisso.
Mas queremos que ela esteja sempre disponível.
Porque se, além dos lugares que conheceram, levarem consigo a memória de uma conversa, de uma história, de um almoço, de uma gargalhada ou simplesmente da pessoa com quem partilharam aquele dia, então aconteceu aquilo que procuramos desde que começámos a fazer este trabalho.
O tour deixou de ser apenas um percurso de bicicleta.
Tornou-se parte da viagem.
E quando alguém regressa a Portugal e volta a bater à nossa porta, quando um novo cliente nos diz que chegou porque um amigo lhe recomendou que viesse pedalar connosco, ou quando recebemos uma mensagem de alguém que está a milhares de quilómetros a dizer “we feel you are a friend”, percebemos que continuamos no caminho que escolhemos há muitos anos.
As bicicletas levam-nos aos lugares.
As pessoas dão sentido à viagem.
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E todos nós — Miguel, Silvie, Pedro, Hugo e Maria — estamos verdadeiramente agradecidos a todos os que escolheram passar algumas horas, um dia ou, por vezes, mais do que um dia connosco neste verão.
Aos que pedalaram connosco pela primeira vez, aos que regressaram e aos que chegaram até nós porque alguém lhes falou de nós: muito obrigado.
Continuamos por aqui.
Ainda temos muitos quilómetros para pedalar, muitos lugares para mostrar e, felizmente, muitas pessoas para conhecer.
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