
Há viagens que se fazem para chegar a um destino. E há outras que se fazem para sentir o caminho, como é o caso do Alentejo.

Já pedalei por todo o país, em muitos locais por mais que uma vez, mas o Alentejo é diferente, muito diferente de todas as outras regiões de Portugal, nesta zona pedala-se, vive-se, sente-se e guarda-se.

Da Cidade ao Coração do Alentejo
Comecei em Lisboa, apenas com o essencial e a mente aberta para o que viesse.
Atravessei o Tejo de barco e à medida que pedalava a cidade ficava para trás e o ritmo mudava. O trânsito deu lugar ao silêncio, os prédios às planícies abertas, e o tempo começava, finalmente, a abrandar.

Os primeiros 2 dias levaram-me para dentro do Alentejo profundo, onde a paisagem parece simples.

Campos a perder de vista, estradas secundárias quase vazias, oliveiras e sobreiros centenários que oferecem sombra ao gado que por ali pasta.

O Alentejo não é uma zona muito povoado, fazemos grandes distâncias rodeados por grandes herdades, quase sem ver casas.
Por vezes passamos por pequenas vilas, todas muito ordenadas e harmoniosas, com pequenas casas pintadas de branco com o contorno das janelas feito a azul ou amarelo.

Em todas estas vilas há algo a não perder ... pequenos restaurantes familiares com comida locas que á absolutamente deliciosa.
Também há vestígios históricos milenares, Antas e Dolmens, locais de paragem obrigatória, que nos indicam que esta zona já é habitada há mialhares de anos.

Montemor-o-Novo, é a primeira “grande” cidade alentejana surge nesta viagem. Com o seu castelo no alto do monte a dominar a paisagem, lembrando-nos que nesta terra tudo foi ... defesa, resistência e fronteira.
Évora e Monsaraz — História Viva Sobre Duas Rodas
Évora não se visita — sente-se.

As ruas estreitas, o ritmo tranquilo, a herança romana e medieval, os detalhes escondidos em cada esquina.
Chegar de bicicleta torna tudo mais intenso: entramos devagar, percebemos melhor a escala, os sons, as pessoas.
Depois, Monsaraz, talvez um dos momentos mais marcantes da viagem.

A vila branca, no topo da colina, com o castelo a olhar o Alqueva lá em baixo, parece suspensa no tempo.
A subida exige respeito, mas a recompensa é imensa: silêncio, vistas amplas e aquela sensação rara de estar num lugar verdadeiramente especial.

Cheguei aqui ao final do dia e foi impossível resistir a sentar-me numa esplanada, a beber um bom copo de vinho local, enquanto contemplava um majestoso sunset, idêntico a muitos dos que assisti em África.
Alqueva — Onde a Água Encontra o Silêncio

A zona do Alqueva é pura contemplação.
O contraste entre o azul do lago e os tons quentes da terra alentejana cria uma paisagem quase irreal.

Pedalar aqui é diferente. Não há pressa, não há horas.
Há tempo para parar, para observar, para ouvir o vento e sentir. As estradas ondulam suavemente, ligando pequenas aldeias onde um café, uma cerveja, uma conversa ou um simples “bom dia” fazem parte da experiência.
Dos Campos à Praia
E depois… o Atlântico.

Após dias de interior, de um tempo seco e paisagens abertas, o cheiro do mar anuncia que algo está a mudar.
A luz torna-se diferente, o ar mais fresco, e a bicicleta volta a ganhar um novo ritmo.

Chegar à Costa Alentejana, depois de atravessar o Alentejo e ter ainda tempo para usufruir de praias lindíssimas, mais do que um final de viagem — é uma sensação de conquista tranquila.

Sem pressa, sem euforia, apenas aquela certeza de que o caminho valeu cada pedalada.
Porque o Alentejo é Perfeito para Cicloturismo:
- Estradas secundárias calmas
- Paisagens amplas e variadas
- Vilas históricas cheias de identidade
- Gastronomia impar e deliciosa
- Pessoas genuínas
- Ritmo lento, humano, verdadeiro
Aqui, a bicicleta não é apenas um meio de transporte — é a melhor forma de entrar no espírito do lugar.
Uma Viagem Que Fica

Esta foi uma viagem por Portugal, vivida na primeira pessoa, que representa aquilo em que amo profundamente – tranquilidade absoluta, liberdade, boa comida e paisagens maravilhosas.