
A Minha História Sobre Duas Rodas: O Caminho Que Me Trouxe Até Aqui
Em 2026, que está à porta, fará 10 anos que iniciei este projecto.
Há percursos que mudam quem somos, o que somos e o que fazemos.
2016 foi o ponto de viragem para mim — o momento em que decidi transformar a bicicleta, que sempre fez parte da minha vida, numa forma de mostrar Lisboa a quem a queria descobrir. Não foi apenas o início de um trabalho; foi o início de uma vida nova.
Desde então, já guiei mais de 3.000 tours, o que significa dezenas de milhares de pessoas vindas dos cinco cantos do mundo, com culturas, histórias e personalidades profundamente diferentes.
Cada uma delas deixou uma marca em mim: na forma como vejo Lisboa, Portugal, o mundo — e até na forma como lidero um grupo.
Lisboa: Uma Cidade e Uma Zona Que Conheço Como Quem Conhece Um Amigo de Longa Data

Nasci em Lisboa, cresci aqui e sempre vivi neste país que tanto amo.
As colinas, as calçadas, os becos e avenidas fizeram parte da minha vida antes de fazerem parte do meu trabalho.
A luz do Tejo ao amanhecer, o cheiro do pão quente, o café nas primeiras horas do dia, os serões nas tascas, a música que escapa das janelas, o fado, a vida nocturna — Lisboa foi sempre o meu normal.
As praias de Cascais, da Caparica, da Arrábida e da Ericeira, e a Serra de Sintra foram o meu recreio. Passei lá férias, fins de semana e vivi aventuras que me ligaram ainda mais a esta região.
Portugal: Um País Que Não Se Explica — Sente-se

Percorri Portugal de Norte a Sul, sozinho, com amigos e em família. Conheço grandes cidades e aldeias minúsculas, serras e praias infinitas, parques naturais e rotas remotas.

Caminhei e pedalei por trilhos que me mostraram a força da natureza, a diversidade paisagística e a riqueza cultural de Portugal, pequeno em tamanho, mas gigante em identidade.

Talvez seja por isso que, quando guio um tour, tudo me parece natural: conheço estes lugares com a intimidade de quem os viveu desde sempre.

E ao começar a fazer tours de bicicleta, percebi rapidamente algo essencial: conhecer o lugar é importante, mas saber contá-lo é o que faz a diferença.
O Mundo Como Sala de Aula

À medida que ganhava experiência em Lisboa, percebi que podia evoluir ainda mais se me desafiasse fora da minha zona de conforto.
Ao longo dos anos, viajei de bicicleta por vários países — algumas vezes sozinho, outras vezes com guias locais — sempre com o mesmo propósito: aprender, observar, melhorar e claro ... usufruir.

Participei em tours de bicicleta em Paris, Budapeste, Barcelona, Viena, Madrid, Panamá e Lima, onde absorvi diferentes formas de liderar grupos, contar histórias e garantir que todos se sentiam seguros, ligados e confiantes.
Mas foram as viagens mais remotas que verdadeiramente me transformaram.
As Viagens Que Moldaram o Guia Que Sou Hoje
África: O Silêncio da Savana e a Sabedoria dos Massais

No Quénia, a bicicleta levou-me por paisagens onde o infinito parece não ter fim.

Pedalei entre zebras, gazelas, girafas imóveis como esculturas, elefantes que sempre tinham prioridade, búfalos, rinocerontes, hipopótamos — e até leões e hienas que nos observavam à distância.

Nas aldeias Massai, as crianças corriam atrás das bicicletas com uma curiosidade que enchia o coração. Queriam ver-nos, falar connosco, tirar fotografias.


Depois vinham os mais velhos — para cumprimentar, conversar, partilhar um pouco da sua vida.

Havia humildade, força, simplicidade, respeito profundo pela natureza e pelo tempo.

África é imprevisível, intensa, viva.

Cada dia nestas terras, ensinou-me a importância de manter a calma, a atenção e a flexibilidade.

América do Sul: Onde a Natureza Nos Testa e Nos Impressiona

Nos Andes, entre o Peru e a Bolívia, a altitude e o clima tornam tudo mais intenso.

Subidas intermináveis, frio que entra pelos dedos, trilhos transformados em lama, descidas épicas como a famosa Estrada da Morte, onde começamos a acima dos 4.000 metros e terminamos aos 1.200.

Mas também havia magia: aldeias incas, montanhas ancestrais, cores vibrantes, crianças tímidas com um sorriso bonito, chá quente oferecido sem palavras.


Foram viagens exigentes, físicas e emocionalmente — e talvez por isso nunca esquecidas.

Panamá: Floresta, Humidade e Orientação à Séria

No Panamá, o desafio era outro: calor, humidade extrema, chuvas tropicais imprevisíveis e florestas densas que quase escondem o céu.

Pedalar entre árvores gigantes, ouvir aves exóticas e ser observado por preguiças foi uma experiência tão bela quanto desafiante.

Aqui aprendi a importância da orientação, da calma e da tomada de decisões rápidas.
A Rota Imperial do Danúbio: História em Modo Cicloturismo

Atravessar o Danúbio entre Budapeste, Bratislava e Viena foi uma viagem mais leve, mas muito rica culturalmente.



Ali, aprendi a importância de equilíbrar: natureza, exercício, monumentos e história — tudo integrado num passeio fluido e prazeroso.
Os Caminhos de Santiago: Fé, Identidade e Conversas Sem Pressa

Mais do que uma rota, os Caminhos de Santiago são uma aula de humanidade.
Ao pedalar por entre peregrinos, ouvi histórias de motivação, de superação, de fé e de procura interior.

Essas conversas ensinaram-me a importância do ouvir — uma habilidade essencial para qualquer guia.
E Tudo Isso Regressa Aos Meus Tours
Tudo o que vivi — cá e lá fora — trouxe-me até ao guia que sou hoje.

Quando recebo um grupo, sei que está sempre presente:
✔ o conhecimento de quem cresceu aqui
✔ a experiência de mais de 3.000 tours guiados
✔ a calma aprendida nas viagens mais duras
✔ a sensibilidade para adaptar cada tour a cada pessoa
✔ as histórias — tantas histórias — que adoro ouvir e partilhar
✔ e a paixão genuína por aquilo que faço
E embora esta seja a minha história, não caminho sozinho.
Hoje tenho o privilégio de trabalhar com uma equipa de guias locais que partilha esta mesma visão — profissionais com milhares de tours guiados, que conhecem Lisboa como a palma da mão e que trazem aos passeios o mesmo espírito humano, seguro e descontraído.
Juntos, criamos experiências que não são apenas passeios de bicicleta, mas memórias que ficam para a vida.
As viagens deram-me técnica e visão.
Lisboa e Portugal deram-me identidade.
Os grupos que guiei deram-me experiência.
O que tentamos oferecer todos os dias?
É simples - um tour seguro, real, humano, descontraído e divertido — daqueles que ficam para sempre na memória.