
Se mantermo-nos ativos é importante em qualquer idade, depois dos 50 torna-se ainda mais importante. Talvez mesmo uma prioridade.
Depois de anos extremamente exigentes, em que o trabalho, a família e tantas outras responsabilidades nos obrigaram a um enorme foco e dedicação, chega uma altura em que, aos poucos, começamos a “libertar-nos” e a reconquistar alguma da liberdade que, durante algum tempo, ficou inevitavelmente condicionada.
E chegamos a esta fase da vida, na maioria dos casos, fisicamente capazes, com energia e, sobretudo, com muito para viver.
Preservar essa energia torna-se fundamental. Para o corpo, naturalmente, mas também para a mente e para a nossa autoestima.
Continuar em movimento, cuidar de nós, sair da rotina, procurar novos desafios e manter viva a curiosidade de descobrir fazem parte dessa vontade de continuar ativos.
Mas mantermo-nos ativos não significa fazer tudo mais depressa, percorrer maiores distâncias ou competir com alguém.
Significa perceber que a vida ainda tem muito para nos oferecer e que devemos saber aproveitá-la.
Talvez tenha chegado a altura de começar a fazer algumas das coisas que, durante anos, foram ficando na “gaveta”.
Viajar para aquele lugar que ficou anos à espera. Experimentar uma atividade diferente. Regressar a algo de que sempre gostámos. Ou simplesmente aceitar novos desafios.
Talvez agora com menos pressa e mais atenção àquilo que nos rodeia. Com mais vontade de desfrutar, de conhecer, de sentir e de guardar boas memórias.
Porque, se há algo que o tempo nos ensina, é precisamente isto:
a apreciar as coisas de outra forma.
E, de repente, temos mais liberdade

Talvez nem sempre tenhamos consciência disso.
Depois de tantos anos a organizar a vida em função do trabalho, da família, dos horários e das responsabilidades, começamos a recuperar algo extraordinariamente importante:
LIBERDADE.
Liberdade para decidir o que queremos fazer com o nosso tempo. Para viajar. Para experimentar algo novo. Para mudar de planos simplesmente porque nos apetece.
Ou até para não fazer absolutamente nada.
Depois de tantos anos condicionados pelas nossas responsabilidades, talvez tenhamos também de reaprender a desfrutar da nossa própria liberdade.
E essa pode ser uma das grandes oportunidades desta fase da vida.
E uma bicicleta pode ser uma excelente companheira

E até um passo importante para (re)começar a descobrir essa liberdade.
Andar de bicicleta é uma forma simples e acessível de nos mantermos ativos. Estamos ao ar livre, movimentamos o corpo e, sobretudo, podemos fazê-lo ao nosso ritmo.
Mas uma bicicleta proporciona-nos algo mais.
Uma extraordinária sensação de LIBERDADE.
Podemos simplesmente partir. Escolher um caminho, mudar de direção, parar quando nos apetece e continuar quando queremos.
Não precisamos de ir depressa, competir ou sequer ter um destino.
Precisamos apenas de pedalar.
Talvez seja por isso que, tantos anos depois de aprendermos a andar de bicicleta, ela continue a proporcionar-nos exatamente aquela mesma sensação:
somos nós que escolhemos o caminho.
E se vieres a Lisboa...

Se te identificas com esta vontade de continuar ativo, de recuperar a liberdade e de aproveitar melhor cada momento, e se vens visitar Lisboa, então uma bicicleta pode ser uma excelente forma de descobrir a cidade e alguns dos seus tesouros.
E digo isto também por experiência própria.
Tenho mais de 50 anos, já vou nos 60, e sou provavelmente um bom exemplo dessa reconquista da liberdade através de uma bicicleta.

Durante muitos anos, praticamente não andei de bicicleta. Foi já nesta fase da minha vida, na golden age, que voltei a pedalar e que a bicicleta passou a ter um significado muito especial para mim: continuar activo, vontade de descobrir e conhecer, de ter novos desafios e ter uma enorme sensação de liberdade.
Levou-me a conhecer lugares onde nunca tinha estado, a viver experiências que provavelmente nunca teria vivido e mostrou-me que ainda havia e ainda há muitos caminhos por explorar.
Mas esta não é apenas uma reflexão pessoal.
Ao longo de muitos anos e de milhares de passeios, tive a oportunidade de pedalar e conversar com muitas pessoas com mais de 50, 60, 70 e até 80 anos.

E este é um tema que surgiu inúmeras vezes:
a liberdade que começamos a recuperar, o tempo que finalmente começamos a ter para nós, as coisas que ficaram por fazer, os lugares que ainda queremos conhecer e a consciência de que a vida ainda tem muito para nos oferecer.
Pessoas de países e culturas diferentes, com histórias de vida completamente distintas, acabam muitas vezes por partilhar sentimentos muito semelhantes.
Talvez por pertencer também a esta geração, compreenda tão bem aquilo de que falam.
E talvez seja por isso que acredito que continuar ativo, manter a curiosidade, aceitar novos desafios e preservar a nossa liberdade são algumas das melhores formas de aproveitar esta fase da vida.
Algumas das pessoas que chegam até nós pedalam regularmente. Outras não andam de bicicleta há muitos anos. E muitas nunca experimentaram uma bicicleta elétrica.
Para estas últimas, a e-bikes acabaram muitas vezes por ser uma agradável surpresa. Com elas continuamos a pedalar e ativos, mas podemos escolher quanto esforço queremos fazer.
As subidas tornam-se mais fáceis, conseguimos percorrer maiores distâncias com conforto e podemos concentrar-nos naquilo que realmente interessa: desfrutar e descobrir.
E, para quem nunca experimentou uma, é também mais uma nova experiência para descobrir.
E é precisamente por tudo isto que acreditamos que a Idade de Ouro pode ser uma ótima altura para viver novas aventuras de bicicleta em Lisboa.
É preciso apenas saber pedalar, ter vontade de continuar ativo e, sobretudo, vontade de descobrir.
Descobrir Lisboa e os seus bairros. Subir aos seus miradouros. Pedalar junto ao Tejo. Ou ir mais longe e explorar a natureza de Sintra, chegar ao Atlântico em Cascais ou descobrir as paisagens, as vinhas e as praias da Arrábida.
Sempre com tempo.
Tempo para parar, para observar, para conversar, para tirar uma fotografia ou simplesmente para ficar alguns minutos a contemplar uma paisagem.
As bicicletas elétricas tornam tudo isto mais confortável e ajudam-nos a chegar mais longe, mas o mais importante continua a ser aquilo que encontramos pelo caminho.
Porque um passeio de bicicleta pode ser muito mais do que algumas horas a pedalar. Pode transformar-se numa experiência inesquecível, numa história para contar e numa memória que levamos connosco.
Talvez seja um lugar que não conhecíamos. Uma conversa inesperada. Uma paisagem que nos deixou em silêncio. Ou simplesmente aquela sensação de liberdade que julgávamos esquecida.
E, quando terminamos, os quilómetros percorridos são provavelmente aquilo que menos importa.
Importa termos estado ativos.
Importa termos descoberto.
Importa termos desfrutado.
E importa, sobretudo, aquela sensação de que ainda há muito para conhecer, muito para viver e muitos caminhos por explorar.
Talvez a verdadeira Idade de Ouro seja precisamente isso:
ter a liberdade de continuar a escolher o nosso caminho — e a vontade de o percorrer.