
Quando hoje pedalamos por Lisboa — pelas praças amplas da Baixa, pelas ruas direitas e pela proximidade constante do Tejo — é difícil imaginar que esta cidade foi, em tempos, muito diferente.
Nos nossos bike tours, seja no tour de Belém, nos tours no Centro da Cidade (7 colinas e centro da cidade) e mesmo no tour de Sintra, falamos frequentemente do terramoto de 1755.
Não apenas como um evento histórico, mas como um momento que para além de alterar a forma como a Europa pensava o mundo, mudou profundamente a cidade, o país e a até a economia mundial.
O vídeo que partilhamos neste artigo ajuda a visualizar algo que as palavras nem sempre conseguem explicar: como era Lisboa antes da catástrofe.
Uma Capital Poderosa e Cosmopolita
Antes de 1755, Lisboa era uma das cidades mais ricas e influentes da Europa.
Era a capital de um império global, era o ponto de chegada de ouro, especiarias, açúcar, tecidos e ideias vindas do Brasil, África, Ásia e do resto da Europa.
O porto fervilhava de atividade. Mercadores, navegadores, diplomatas e viajantes cruzavam-se diariamente nas margens do Tejo.
A cidade era densamente construída, cheia de igrejas, conventos, palácios, mercados e edifícios altos, muitos deles em madeira.
Arquitetonicamente, Lisboa era um labirinto medieval: ruas estreitas, sinuosas, bairros sobrepostos e cheios de vida.
O Dia Que Mudou Tudo
Na manhã de 1 de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, Lisboa foi atingida por um dos mais violentos sismos alguma vez registados na Europa e no Mundo.
Em poucos minutos:
- edifícios ruíram,
- incêndios alastraram por vários dias,
- e um tsunami invadiu a zona ribeirinha.
Estima-se que cerca de 85% de Lisboa tenha desaparecido, grande parte da cidade foi completamente destruída.
Este impacto não foi apenas físico, o grande terramoto de 1755, abalou crenças religiosas, filosóficas e políticas em toda a Europa.
Vários pensadores, como por exemplo Voltaire, escreveram sobre este acontecimento. Reis, engenheiros, arquitetos e cientistas começaram a questionar a forma como as cidades estravam e deveriam ser construídas.
O Nascimento da Lisboa Que Conhecemos Hoje

Da destruição nasceu uma cidade nova.
Sob a liderança do Marquês de Pombal, Lisboa foi reconstruída com uma visão revolucionária para a época:
- ruas largas e ortogonais
- praças amplas e funcionais
- edifícios pensados para resistir a sismos
- uma cidade organizada, racional e moderna
A Baixa Pombalina, por onde hoje passamos nos nossos tours, é o resultado direto dessa reconstrução — um dos primeiros exemplos de planeamento urbano moderno no mundo.
Porque Falamos Disto Nos Nossos Tours
Quando mostramos Lisboa de bicicleta, não mostramos apenas monumentos, contamos histórias e a história.
E o terramoto de 1755 é parte importante da história de Lisboa, de Portugal e também do Mundo, mas nos nossos tours de bicicleta é especialmente importante para entender:
- porque a cidade tem este desenho
- porque certos bairros desapareceram
- porque Lisboa é simultaneamente antiga e surpreendentemente moderna
- porque o Tejo tem um papel tão central na vida da cidade
Ver este vídeo antes ou depois de visitar Lisboa ajuda a ligar os pontos e a perceber que aquilo que hoje parece natural é, na verdade, o resultado de uma das maiores transformações urbanas da história europeia.
Um Convite a Ver Lisboa Com Outros Olhos
Ao pedalar pela cidade, convidamos sempre os nossos visitantes a imaginar:
“Como seria estar aqui antes de 1755?”
Este vídeo é uma excelente forma de viajar no tempo e compreender a dimensão histórica, económica e social da Lisboa que desapareceu — e da Lisboa que renasceu.
Porque conhecer Lisboa não é apenas ver o que existe hoje, é também entender o que foi perdido, o que mudou e o que permanece.