
No interior de Portugal existem lugares que parecem ter ficado à margem do tempo.
Pequenas aldeias históricas, longe das grandes cidades e dos principais circuitos turísticos, onde ainda encontramos um Portugal genuíno, feito de pedra, paisagem, história e tradição.
Penha Garcia é um desses lugares.
Já conhecia esta aldeia de passagem, mas nunca a tinha explorado de bicicleta.
Localizada no concelho de Idanha-a-Nova, muito perto da fronteira com Espanha, foi um dos locais que quisemos descobrir numa recente viagem de bicicleta pelo interior de Portugal.
E em boa hora o fizemos.
Rapidamente percebemos que Penha Garcia merecia muito mais do que uma simples passagem de carro.
Descobrir Penha Garcia de Bicicleta
Há lugares onde a bicicleta é apenas um meio de transporte.
Noutros, faz parte da própria experiência.
Penha Garcia pertence claramente ao segundo grupo.
Pedalar pelas suas pequenas e tranquilas ruas, entre antigas casas de pedra, portas, janelas e marcas deixadas por várias gerações, é como fazer uma pequena viagem no tempo.
As pequenas casas de pedra, simples e bonitas, parecem nascer da própria paisagem e dão à aldeia uma identidade muito especial.
Aqui não existem grandes avenidas, multidões ou filas para visitar monumentos.
Existe silêncio, autenticidade e tempo para observar.
E, de bicicleta, podemos fazê-lo ao ritmo certo.
Um Castelo Com Cerca de 800 Anos

No ponto mais alto da aldeia encontramos as ruínas do Castelo de Penha Garcia.
Chegar até ali e observar o local onde a fortaleza foi construída faz-nos inevitavelmente pensar no esforço e na coragem daqueles que, há cerca de oito séculos, ergueram aquelas muralhas num terreno tão alto e agreste.
A localização, naturalmente, não foi escolhida por acaso.
Numa região próxima da fronteira, daqui era possível controlar uma enorme extensão do território, defender estas terras de possíveis invasões e proteger as populações locais.
Hoje já não existem fronteiras para defender a partir destas muralhas.
Ficaram as ruínas, testemunho da valentia dos nossos antepassados na formação e proteção de Portugal, e uma vista extraordinária sobre a paisagem envolvente.
Os Antigos Moinhos de Água

Depois do castelo, descemos até ao vale e encontramos uma Penha Garcia completamente diferente.
A pedra continua presente, mas agora acompanhada pela água e pela vegetação.
Ao longo da linha de água surgem antigos moinhos que, durante gerações, aproveitaram a força da corrente para fazer girar as mós e transformar os cereais em farinha.
Funcionaram até meados dos anos 80 e os habitantes mais velhos da aldeia ainda se recordam de os ver em atividade e de ali comprarem o pão.
Hoje, infelizmente, estão silenciosos.
Mas continuam a fazer parte da paisagem e são uma memória extraordinária de uma época em que a água, a agricultura e estas pequenas construções tinham um papel essencial na vida das populações.
São, provavelmente, um dos maiores tesouros de Penha Garcia.
E, no final, um mergulho
Continuando junto à água, encontramos ainda uma última surpresa.
Entre as rochas forma-se uma pequena piscina natural de águas cristalinas.
Depois de vários quilómetros de bicicleta, das ruas da aldeia, da subida ao castelo e da descida até aos antigos moinhos, havia apenas uma forma possível de terminar esta descoberta:
um mergulho refrescante e retemperador.
E foi exatamente isso que fizemos.
Onde comemos em Penha Garcia

Depois de algumas horas de bicicleta e de um bom mergulho, há poucas coisas melhores do que descobrir também os sabores da região.
Desta vez regressámos ao Raiano, um restaurante onde já tínhamos estado há alguns anos.
E voltámos também a uma escolha de que guardávamos boas recordações: o ensopado de javali.
É um dos pratos tradicionais da casa e continua a ser uma excelente opção para quem gosta dos sabores mais fortes e genuínos da gastronomia desta região.
O restaurante, conhecido pelos seus pratos regionais, apresenta uma ementa bastante variada.
As doses são muito generosas — muitas dão perfeitamente para duas pessoas — e os preços são acessíveis.
Foi bom regressar alguns anos depois e voltar a encontrar o tipo de restaurante de que gostamos nestas viagens: comida tradicional, doses generosas e sabores da região.
Cycling Portugal:
Descobrir o País Sobre Duas Rodas
Este filme faz parte da Cycling Portugal, uma coleção de vídeos que temos vindo a construir ao longo dos anos, através de diferentes viagens e passeios de bicicleta por Portugal.
Fazemos estes passeios tanto por terrenos mais desafiantes como por caminhos mais tranquilos, aproveitando estradas com pouco trânsito e também muitas das ecovias e ciclovias que já existem um pouco por todo o país.
Alguns desses percursos levam-nos a lugares muito conhecidos e que conhecemos muito bem, mas onde há sempre algo de novo para descobrir.
Outros levam-nos por pequenas aldeias, estradas, montanhas e paisagens que nunca percorremos. E aí, partimos verdadeiramente à descoberta.
Gostamos de mostrar os lugares por onde passamos e aquilo que vamos encontrando pelo caminho.
Alguns serão uma descoberta para quem nos acompanha. Outros poderão trazer de volta boas recordações de uma viagem, de uma paisagem ou de momentos vividos há muitos anos.
Há lugares que visitamos e esquecemos. Outros ficam connosco.

E são esses lugares, muitas vezes, que nos fazem querer voltar — ou despertam em quem ainda não os conhece a vontade de um dia partir ao seu encontro.
Se algum destes filmes conseguir despertar essa vontade ou trazer de volta uma boa memória, então esta partilha já valeu a pena.
Em todos eles procuramos aquilo que sempre nos levou a viajar de bicicleta: a enorme sensação de liberdade, a paixão pela bicicleta, pela vida ao ar livre e pela descoberta.
Penha Garcia foi mais uma dessas descobertas.
E certamente não será a última.
